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Fiocruz lança oficinas virtuais sobre plantas medicinais

 Agricultores familiares, assentados da Reforma Agrária, indígenas e quilombolas encontram no YouTube, em acesso livre, a oportunidade de qualificar a sua produção de plantas medicinais, aromáticas, condimentares e alimentícias. Com o distanciamento social imposto pela pandemia de Covid-19, desde o ano passado, o projeto ArticulaFito − Cadeias de Valor em Plantas Medicinais levou as oficinas de capacitação antes promovidas em campo para o ambiente virtual, em acesso aberto.

Neste mês, o projeto lança mais uma oficina virtual: Sistemas Agroflorestais na Prática, com seis videoaulas que serão publicadas no canal do ArticulaFito YouTubeentre 10 e 26 de maio, sempre às segundas e quartas-feiras, às 10h. Todas as videoaulas têm intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Iniciativa conjunta da Fiocruz e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o projeto ArticulaFito promove a qualificação de empreendimentos de povos e comunidades tradicionais e de agricultores familiares. As inscrições podem ser feitas pela internet. 

”Democratizar o conhecimento e a informação é o melhor caminho para qualificar a base produtiva de plantas medicinais, aromáticas, condimentares e alimentícias. Por isso, as oficinas de capacitação do ArticulaFito estão disponíveis em acesso aberto no YouTube. O objetivo é adequar os empreendimentos que participam do projeto às boas práticas de cultivo e manejo e à legislação fitossanitária vigente, para que possam acessar com segurança os chamados mercados diferenciados, pautados em valores como a equidade de gênero, nos conhecimentos e saberes tradicionais, na conservação e no uso sustentável da biodiversidade brasileira”, conta a coordenadora técnica e executiva do ArticulaFito, Joseane Carvalho Costa, que é pesquisadora da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

O primeiro ciclo de capacitações conta com quatro módulos temáticos: Boas Práticas de Cultivo e Manejo, Farmácias Vivas, Legislação Fitossanitária e Políticas Públicas e Acesso a Mercados Diferenciados. O segundo, com dois módulos: Produção de Plantas Medicinais em Sistemas Agroflorestais, lançado em março, e Sistemas Agroflorestais na Prática, com estreia em 10 de maio. Outros módulos serão lançados ao longo do ano.  O canal ArticulaFito no YouTube já tem mais de 7 mil visualizações. Formalmente, 250 pessoas já receberam certificado de participação. Os vídeos estão disponíveis em acesso livre no Youtube.  



O projeto

O projeto ArticulaFito constitui o maior mapeamento de espécies de plantas medicinais, aromáticas, condimentares e alimentícias já realizado no Brasil. Foram identificados 26 produtos oriundos de cadeias de valor nos biomas Amazônia, Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado (regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste). São produtos como chás, colírios, repelentes, hidratantes, azeites para uso na gastronomia, dentre outros, que têm como matéria-prima espécies vegetais da flora brasileira.

“Cadeias de valor são sistemas produtivos que utilizam de forma sustentável recursos da sociobiodiversidade e contribuem com a conservação ambiental, o desenvolvimento econômico e a redução de desigualdades. Por terem agricultores familiares e povos e comunidades tradicionais em suas bases produtivas, essas cadeias agregam valores étnicos, históricos, sociais, culturais e ambientais ao seus produtos”, explica Joseane.

Cadeias de Valor em Plantas Medicinais mapeadas pelo ArticulaFito:

. Fitoterapia: extrato seco e chá medicinal de calêndula; extrato seco e chá medicinal de espinheira santa; chá medicinal de guaco; produtos tradicionais de capim cidreira; pó de carapiá; semente de umburana; chá de cavalinha; pílula artesanal de babosa; chá medicinal de hortelã; semente de sucupira; extrato de pilocarpina das folhas de jaborandi.

 . Cosméticos: vagem de fava d'anta; extrato de melão de São Caetano; extrato de arnica; cera de carnaúba; óleo e sabonete de copaíba; óleo de andiroba; óleo de pracaxi; repelente de andiroba; óleo e cosméticos de buriti; manteiga de tucumã e óleo do bicho do tucumã.

 . Alimentos: óleo de macaúba; óleo extravirgem e farinha de babaçu; amêndoas de castanha do Pará; jambu in natura e cachaça de jambu; bacuri in natura, polpa, semente e casca e manteiga de bacuri.

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